O potencial desafiador dos Recursos Humanos para a Saúde Digital

Pesquisas de ponta em vários territórios da Saúde Digital foram apresentadas durante o Workshop do Comitê Técnico de Prospecção Tecnológica em Saúde Digital (CT-SD), da RNP, com participação de membros da diretoria e associados da ABTms. E um tema esteve presente na maioria das apresentações: Recursos Humanos para a era da Saúde Digital. O conteúdo de todo o workshop está disponível nas páginas da Wiki:

https://wiki.rnp.br/pages/viewpage.action?pageId=143595654

https://wiki.rnp.br/pages/viewpage.action?pageId=143603409

Para entender a transformação promovida pela Saúde Digital no Brasil e exterior, temas das apresentações, assim como políticas públicas, blockchain, gestão de identidade, monitoramento de redes, videocolaboração, tecnologias e arquiteturas para a prática médica, monitoramento e diagnóstico, é necessário debater, pesquisar e investir em educação e formação para a Saúde Digital, afirmou Ary Messina, (RNP e ABTms), na conclusão do evento.

No workshop foi possível identificar várias maneiras de contribuir para isso. Em sua apresentação sobre Educação em Saúde Digital e Formação da Força de trabalho, o Prof. Luiz Roberto de Oliveira (Professor Associado – Coordenador do Núcleo de Tecnologias e Educação a Distância em Saúde da Faculdade de Medicina da UFC/Comissão de Admissão da SBIS) foi um dos palestrantes a ressaltar a importância do espírito crítico e senso ético para o desenvolvimento de novas tecnologias.

Segundo ele, para isso, é necessário estabelecer uma agenda que defenda a qualificação profissional antes do profissional chegar ao mercado de trabalho, iniciando a formação ainda na graduação. “Precisamos definir um currículo mínimo que atenda essa necessidade e combata lacunas de um letramento insuficiente, não só na cultura digital, como visual, fazer a reforma curricular e obter o reconhecimento da Saúde Digital como uma Tecnociência pela Capes e o CNPq”, explica. E, tudo isso deve vir junto com o estímulo a uma nova cultura de trabalho que estimule a colaboração e a convergência.

Essa pauta também se destacou na apresentação de Ivan Torres Pisa (Professor-adjunto, coordenador do grupo de pesquisa Saúde 360o, coordenador do Programa de Pós-graduação em Gestão e Informática em Saúde) sobre Consumidores de Saúde no centro do conceito da Saúde Digital. Pisa e sua equipe desenvolvem pesquisas voltadas para o consenso mundial de que o paciente deve ser o centro das estratégias de Saúde Digital. Para isso, vem desenvolvendo métodos de construção de um vocabulário de saúde do consumidor para o Brasil e de avaliação da maturidade da saúde digital alinhado ao Global Digital Health Index (com resultados preliminares para o Brasil).

Com o estudo da Inteligência Digital em Saúde (IDs 2.0) avançou da observação de perfis de cidadania, criatividade e competitividade digital para identificar o vocabulário de saúde e colaborar com apps.  Pisa também compartilha da necessidade dessas pesquisas chegarem à graduação. “O recurso humano é fundamental para viabilizar as ferramentas tecnológicas e esse é um dos nossos grandes desafios. As análises holísticas estão cada vez mais presentes na Saúde e para isso é necessário romper as barreiras da dificuldade de interpretação entre pacientes e profissionais da Saúde”, justifica.

Para Fernando José Ribeiro Sales (Professor Adjunto, Secretário da Diretoria da SBEB 2021/2022), uma inspiração para o futuro da saúde digital no Brasil pode estar na obra de Shawn Achor, pesquisador de Harvard e autor de best sellers internacionais. No livro “Grande Potencial – Cinco Estratégias para Chegar Mais Longe Desenvolvendo as Pessoas ao Seu Redor”, ele aborda como podemos expandir o nosso potencial por meio de parcerias e colaboração. O tema segundo Sales é mais uma provocação. “Vimos aqui vinte experiências de centros e profissionais estelares da Saúde Digital no Brasil. Como todos esses trabalhos de vanguarda podem se reunir para atuarmos como uma constelação?”.

O coordenador do Comitê Paulo Lopes (RNP e ABTms) aponta que essa constelação de especialistas tem um papel muito importante para preparar a RNP, com propostas baseadas em uma visão de futuro consistente e que possa contribuir com soluções e serviços para o sistema nacional de ensino e pesquisa, missão que será perseguida por todos em 2021.

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