ABTms e RUTE/RNP promoveram debate reabertura das creches e escolas durante a pandemia

Na segunda-feira, 17/8, o SIG COVID19 BR, da Rede Universitária de Telemedicina (RUTE), em parceria com a Associação Brasileira de Telemedicina e Telessaúde (ABTms), reuniu especialistas para debater um assunto que tem sido amplamente discutido pela sociedade brasileira: o retorno das creches e escolas durante a pandemia do novo coronavírus.

Participarem do encontro virtual a Dra. Claudia Nunes Duarte dos Santos, bióloga especialista em virologia molecular da Fiocruz-PR, a Dra. Rose Copelman, médica e professora de saúde ocupacional na Unirio e o Dr. Roberto Santoro, psiquiatra infantil do Hospital Municipal Jesus, do Rio de Janeiro e coordenador do Grupo de Trabalho sobre Saúde Mental da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). A moderação foi realizada pela médica pediatra, professora da Uerj e uma das coordenadoras do SIG COVID19 BR, Dra. Evelyn Eisenstein.

A Dra. Claudia Nunes Duarte abriu os trabalhos abordando os aspectos da transmissibilidade do vírus, juntamente com um balanço sobre “o antes, o agora e o depois”. Ela informou que 75% das doenças infecciosas emergentes que afetam humanos são de origem animal e explicou os fatores que fazem esses vírus emergentes se alastrarem, para depois falar mais especificamente da relação de transmissibilidade ntre o coronavírus e as crianças.

“As crianças adoecem 50% menos que os adultos. Um dos motivos possíveis seria a menor expressão de receptores ACE2 na superfície das células do trato respiratório de crianças. Porém, vários estudos têm mostrado que, embora as crianças não tenham sinais clínicos aparentes, elas se infectam e são excelentes transmissoras do vírus. Apresentam alta carga viral. O que temos hoje é que a gente não sabe a incidência da SARS-COV-2 em crianças, porque testamos muito pouco. Então, não temos dados precisos sobre esses números. Até que se disponha de um tratamento ou de uma vacina segura, eficaz e com ampla distribuição para toda população. O distanciamento social, uso da máscara, a higiene das mãos, de objetos e ambientes serão as únicas alternativas para se desacelerar as infecções pelo SARS-Cov2 e o curso da pandemia”, afirmou a virologista.

Na sequência da mesa, a Dra. Rose Copelman tratou da prevenção da Covid-19 no ambiente escolar e frisou a importância da análise dos riscos e benefícios antes da tomada de qualquer decisão. Ela também alertou que as regiões e localidades estão vivendo diferentes momentos com relação ao vírus. “A gente não pode falar de reabertura para todo Brasil no mesmo momento”, disse a especialista em saúde ocupacional, complementando. “A escola tem, sim, uma responsabilidade grande na hora que ela reabre. Precisa ter a confiança dos pais e não dá para coloca política à frente da ciência em um momento importante como esse no país”.

Copelman apresentou dois estudos feitos recentemente com relação à reabertura das escolas: um da Coreia do Sul, e outro da Europa. O primeiro que concluiu que a transmissão domiciliar é muito mais intensa do que a comunitária e que crianças pequenas perdem em medidas de mitigação, mas ganham na epidemiologia por transmitirem menos.

Já o segundo chegou às seguintes conclusões: o fechamento das escolas só faz sentido no pico, pois todos os profissionais que trabalham nelas enfrentam o mesmo risco dos demais profissionais de outros segmentos.  A escola não direciona o vírus para a comunidade e não representa maior risco que outros locais. Os casos de contaminação identificados foram decorrentes de transmissão residencial.

A médica finalizou sua participação falando da experiência pessoal que ela está tendo, juntamente com uma instituição de ensino que possui algumas escolas no estado do Rio de Janeiro. Ela apresentou todos os protocolos instituídos para deixar os colégios prontos para receber os alunos.

O Dr. Roberto Santoro deu sequência ao debate trazendo a questão da saúde mental das crianças e adolescentes neste período de isolamento social.

“Quando nós falamos de crianças e adolescentes, a situação é ainda mais séria e mais grave, porque eles estão em desenvolvimento e dependem do ambiente em que ele se realiza. Essas crianças dependem também da estabilidade do meio. Porque, como elas estão se organizando, a organização do dia a dia é estruturante para elas. Então, o que nós vemos nesta imensa invasão nas nossas vidas, o impacto é muito maior sobre crianças e adolescentes por uma série de fatores. Elas estão privadas de suas rotinas, muitas delas estão com seus contatos sociais ou afetivos e familiares reduzidos. Estão privadas do ambiente da escola que é fundamental para a socialização e o aprendizado. Vale a gente adiantar o seguinte: ensino online é o que é possível para essas crianças e adolescentes neste momento, mas não é a mesma coisa do presencial”, explicou o psiquiatra infantil.

A moderadora do encontro e coordenadora do SIG COVID19 BR, Dra. Evelyn Eisenstein, fechou a série de apresentações alertando sobre os principais sinais e sintomas da Covid-19, que são inespecíficos. Ela ressaltou que os pais precisam estar alertas a eles, principalmente à febre alta e persistente, à queda do estado geral, e à Síndrome Inflamatória Multissistêmcia.

Evelyn concluiu trazendo à tona o artigo 227 da Constituição Federal, que determina que a proteção integral da saúde e da educação da criança e do adolescente deve ser prioridade absoluta o Brasil.

“Quando falamos em criança e adolescentes, não existe diferenças entre os de escolas públicas e escolas privadas. Crianças e adolescentes são indivíduos que estão em uma fase importante de crescimento e desenvolvimento, cada uma no seu momento, no seu tempo, com as suas necessidades. Nós temos, realmente, que cuidar do entorno onde eles estão”, alertou a pediatra.

Confira a sessão na íntegra

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