A telemedicina como questão de vida ou morte

Os avanços e desafios da Telessaúde na Urgência e Emergência foram tema de webinar realizado pela ABTms, com apoio de várias entidades. Participaram da apresentação os especialistas Dr. João José Carvalho (Hospital Geral de Fortaleza), Prof. Dr. Milton Steinman (HI Albert Einstein), Dr. Luciano Eifler (Ulbra, Unisinos e CEO ConceptMed), Prof. Luiz Ary Messina (Rute/RNP e ABTms), com moderação do Prof. Dr. Gustavo Fraga FCM Unicamp) e Dr. Rodrigo Caselli (Hospital de Base DF).

O link para assistir ao webinar na íntegra está disponível com exclusividade para os associados da ABTms. Solicite seu acesso e venha participar dessa transformação.

Unânimes em identificar os passos gigantescos da telemedicina na pandemia, relataram experiências de grande êxito em vários segmentos, do combate à Covid-19 nos hospitais de Manaus a rotinas extremamente impactadas pelo acesso à tecnologia, como o atendimento de pacientes com AVC e traumas neurológicos pela rede pública.

Em Fortaleza, uma experiência de Telemedicina na abordagem do AVC, coordenada pelo Dr. João José Carvalho, partiu da conclusão de que metade dos pacientes de AVC procuravam atendimento em primeiro lugar nas UPAs, em vez de hospitais, para criar um programa de atendimento integrado. O Puma (Protocolo Unificado de Manejo do AVC) utiliza dois apps conhecidos, Whatsapp e Fast ID, para conectar as UPAs, Samu e hospital, melhorando significativamente o tempo de atendimento, que atingiu o recorde de apenas 5:34 minutos para início do procedimento de trombólise

“Conectar expertises, alta com baixa complexidade, é a magia da telemedicina que tem um uso tão amplo como humanizador”, disse Dr. Luciano Eifler, que contou como partiu de uma emergência familiar para aderir aos robôs de telepresença. Com um breve passeio pela história dos teleconsoles e wearables com Inteligência Artificial, chegou ao papel da telemedicina nos oito dias que passou nas UTIs de Manaus, no período crítico da pandemia.

Para o Dr. Milton Steinman, do departamento de Urgência e Trauma do Hospital Israelita Albert Einstein, a telemedicina vem para responder a uma pergunta aparentemente simples, mas vital em seu departamento: “Qual é o problema que precisamos resolver?”. Essa pergunta define toda uma cadeia da sobrevida em trauma, que ele aborda em cada fase do tratamento, com dispositivos próprios. Uma experiência definitiva para ele mergulhar nesse estudo foi no Hospital M’Boi Mirim, na periferia de São Paulo, com a criação de um projeto piloto com plantonistas e apoio remoto de neurocirurgiões que reduziu em 25% as transferências.

Conectividade é a palavra-chave e ao mesmo tempo um dos maiores desafios da telemedicina, segundo o Dr. Rodrigo Caselli. Conectividade é exatamente o desafio para as ações da RUTE (Rede Universitária de Telemedicina), coordenada pelo Dr. Luiz Ary Messina, também presidente da ABTms. Apresentando a abrangência atual da estrutura, que começou com a criação da RNP nos anos 80, Messina lembrou dificuldades da telemedicina abaixo da linha do Equador, onde ainda há UBS não conectadas, mas também dos progressos.

A articulação com grandes e pequenos provedores representa hoje a conexão de 800 municípios e a criação de anéis de fibra ótica proporciona a conexão cada vez maior de instituições com maior ganho e menor custo. Atualmente, o País tem grande experiência acumulada e a perspectiva cada vez maior de integração de instituições, universidades, grupos de interesse em toda a rede pública pela RUTE é promissora. Sua atuação inclui parcerias internacionais, prioritariamente em países de língua portuguesa, e está em franca progressão na América Latina.

Dr. Luiz Ary Messina  acrescenta que a ABTms soma-se a esse movimento com um posicionamento comprometido com a universalização do acesso à saúde pela Telessaúde e sua prática em total acordo com os Conselhos de categorias profissionais vinculadas ao tema.

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